Desde que retornei com raízes e tudo à terrinha chamada Caxias, tenho tido tão pouco tempo de escrever certas coisas. Não que elas não me passem na cabeça 37 vezes por dia ou que eu não me atormente com o fato desse tempo já estar me amarrando à seu ponteiro. Evidente que sim. É que esse blog surgiu como uma espécie de confessionário (hehehe) para que outras coisas possam ser ditas além do que a gente grava, escuta, vê e coloca na edição final do Café com Palavras e não estou tendo tempo para fazê-lo! That’s it!
Porém, acabo me confortando, mesmo que a falta de tempo me desconforte e me desconforme, com o fato de que há uma estrada imensa pela frente a apontar a direção de que há tantas coisas por fazer nesse curto espaço de tempo e que o tempo, relativizado, às vezes parecendo tão absoluto, dá seu tom cabalístico, mas que ele, apesar de me esgoelar mais uma vez, é também co-criador do processo! Saturno, Saturno a nos cutucar!
Da mesma forma que o Café com Palavras nasceu de um processo muito louco de algumas pessoas que se encontraram pela primeira vez, no tempo certo. Certo também que meu olhar sobre ele tem um tom totalmente identificado. Afinal, eu me misturo profundamente com tudo o que acontece durante as gravações, com aquilo que eu chamo de identificação inevitável!! Me esforço por um distanciamento brechtiano, mas confesso que não me interessa muito estar de um lado menos afetivo da criação dessa nova brincadeira. Nem com as pessoas, essas as quais eu vi pela primeira vez e agora já não me soam tão estranhas assim... Muito menos com as que sentam diante de mim para compartilhar essa coisa praticamente íntima que é tomar um café juntos!
O espaço do Café é um imperativo de voz, dar voz e ouvir as vozes de quem senta na bendita cadeira e divide essa xícara de café em instantes tão transitórios. Mas é um café público! E é para sê-lo. Não penso que o Café com Palavras seja mais um programa no cenário caxiense de produção audiovisual. Não penso que deva ser só isso. Ele é um projeto cultural, que transcende a questão da tv, da internet ou do cenário local. É algo muito além: é o ato de fazer circular relações que se dão e que se encontram nos acontecimentos que rolam por aqui, produzidos por pessoas que dão um sentido diferente ao que fazem e afetam aos outros. A arte como um processo transformador e a comunicação como um meio de transparecer o que acontece nos confins de alguns locais. Viram!? Meu olhar não é desidentificado, é totalmente comprometido!
Consegui essa brecha no relógio para dizer que estou feliz que as coisas estejam acontecendo sem parar. Que o Café com Palavras seja algo que também instrumento de inquietude a quem o assiste, participa, observa, produz... Por que se não for para inquietar-se/inquietarmo-nos mutuamente... de que serviria mais alguma coisa, como diria Cazuza, nesse “museu de grandes novidades” ?
Espero que vocês também estejam gostando... Um beijo grandeee
Juli